
Se existe uma coisa extremamente nociva ao magistério é quando o docente deixa comprometer, de um modo ou de outro, a relação minimamente saudável com o educando. Uma quebra do vínculo de confiança transformada em algum tipo de implicância, nojo, raiva arruína o processo educativo e até mesmo a saúde do professor.
Alguns anos atrás, numa escola do Estado, perdi a paciência com um aluno que me tirou do sério (Sim, isso vai acontecer e não depende da sua competência, apenas os próximos passos). Sinceramente foi a primeira vez na vida que eu quis bater em uma criança como se bate em um adulto tamanha foi a raiva que a insolência dirigida a mim me provocou.
Depois de mais calmo, percebi que quem estava no limite era eu, não o aluno. Porque o comportamento arrogante, mal educado e cruel é sempre algo esperado por parte do aluno, ainda mais no ambiente de escola pública: o tamanho da minha raiva por aquela criança, não.
Pois bem, tratadas suas questões mal resolvidas, leve em consideração uma coisa muito importante com relação aos alunos para que seja capaz de abstrair mais setas ruins em sua direção, tenha uma vida profissional mais tranquila e saudável e quem sabe se preciso, reapaixonar-se por sua profissão. E é uma coisinha só:
NÃO É PESSOAL
A conduta do aluno, raramente é feita para atingir você e somente você, se assim fosse eles seriam uns anjinhos com todos os seus colegas.
Quando uma criança tem um comportamento perverso, cruel, irônico ou agressivo, lembre-se que não foi você quem provocou aquilo e mais do que isso, não é você o profissional capacitado para tratar. Quando o grau de delinquência excede, aí já transpassa a sua expertise: Você não é o Conselho tutelar, você não é juiz nem policial, e às vezes tampouco o diretor da escola.
O ódio daquela criança não é de você: às vezes é de uma mãe negligente, do pai que a abandonou, de parentes abusadores físicos e de agressões verbais constantes no ambiente familiar. A disfuncionalidade da casa dela chegará sempre até nós, mas professor não é psicólogo, mas um profissional que precisa ser sensível o bastante para saber que existe um universo muito maior do que a sala de aula compondo aquele resultado diante de nós. Sejamos sensíveis para identificar essas coisas e humildes para saber nossos limites.
Se você fez seu trabalho ao tentar ajudar o aluno a avançar, não é você que tem que ficar com raiva das notas baixas dele, você não é o pai nem a mãe dela. Guarde esse sentimento para quando os seus próprios filhos não estiverem levando a escola a sério.
Quando os alunos não entregam, o trabalho ou o fazem porcamente, continue lembrando: NÃO É PESSOAL. Até na vida adulta temos dificuldade de encontrar pessoas que fazem coisas com excelência, por que guardar sentimentos nocivos pelo educando por repetirem desleixo com tarefas que elas veem boa parte dos adultos cometendo? Cobre a excelência deles, mas não saiba que vivemos em uma sociedade onde a busca pela perfeição é um exceção, não uma regra.
Então tire da sua cabeça que os alunos querem te atingir. Às vezes até querem, mas não se permita se atingido por coisas que estão fora do seu controle. Busque estar mais próximo deles porque nada os irrita mais do que um professor ou professora arrogante que se comporta como dono do sabe e acima do bem e do mal. Você é gente e não faz parte do processo educativo que eles pensem o contrário.
Assim sendo, agora, quer precise aprovar ou reprovar, quer precise mandar pra diretoria ou para o corredor, tenha sempre em mente que eles são vidas na tenra idade que neste momento estão sendo alcançadas pela sua, e ás vezes a única palavra de alento e bondade que eles ouvem saem da sua boca. Mantenha isso intacto. Guarde suas neuras para si, jamais descarregue-as neles para ser feliz e evitar entrar em um processo de estafa ou passar a odiar seu ofício. Construa sentimentos melhores, fortaleça-os e não pegue ranço do aluno.
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