segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Filmes de 2017 - Avaliação








Animais Noturnos: Um filme ousado como a arte deve ser. Do tipo que provoca e te faz pensar do início ao fim. Depois que acaba você não para de pensar a respeito do que acabou de assistir. Ótimo! Nota 8.


Beleza Oculta: Brilhante! Confesso que chorei. Consegue tratar com imensa sensibilidade um assunto triste e ainda usa licença poética pra isso. Nota 10.


Passageiros: É bom ver que a ficção científica ainda tem seus cartuchos pra queimar. Um espetáculo visual e uma história agradável. Mas não vai muito além e fica limitado ao talento de Chris Pratt e Jennifer Lawrence. Nota 7.

Fome de Poder: Trama bem desenvolvida, um filme que envolve, agrada e ensina, mas feito para um público restrito. Nota 7.

Até o último homem: O mundo precisa de mais filmes assim. Minha única dor de cotovelo foi não ter visto no cinema. Belíssimo! Não foi sucesso na Netflix a troco de nada. Nota 9,5.

Minha mãe é uma peça 2: Divertidíssimo. Sucesso justificado, mas o filme é dependente demais do Paulo Gustavo e você não se importa com a história. O cinema brasileiro ainda está aprendendo essa lição. Nota 7.

Estrelas além do tempo: Lindo! Mais do que um filme, um tratado para a humanidade! Para rir e chorar. Uma produção necessária! Só o título romantizado em Português que foi uma mancada. Nota 9,5.

Ghost in the Shell - A vigilante do amanhã: Horroroso. A computação gráfica não pôde fazer nada pelo filme. Os norte-americanos precisam parar com a arrogância de tentar melhorar toda ideia estrangeira brilhante. Nem sempre dá, pois acabam pecando em descontextualização cultural e até mesmo desrespeito. É tão difícil aceitar que um oriental fez algo melhor? Nota 4,5.

Fragmentado: Uma obra prima! James Macavoy está soberbo no papel, ou melhor, nos papéis. Quase tudo prende sua respiração e quando você pensa que não dá para ser ainda mais brilhante, a história te surpreende de novo. Nota 10.

Jackie: Natalie Portman está maravilhosa no papel, mas o filme não serve nem pra estudante de Ensino Médio estudar pra prova de História. Nota 5.

Capitão Fantástico: Magnífico! Talvez o drama mais perfeito que eu já tenha visto nos últimos anos. É um filme corajoso, criativo, roteiro espetacular, elenco incrível, uma obra de arte da melhor qualidade. Um dos poucos que me emocionaram neste ano. Para aplaudir de pé. Nota 10.

Logan: Tão belo que nem parece filme de herói. O tipo de história que bagunça suas estruturas e te dá um nó na garganta. Reflexivo. Nota 9.

Vida: Outro filme decepcionante de ficção científica deste ano. Você não se importa com quem morre, nem com quem vive e nem com a ameaça. E um baita elenco daqueles que não consegue acrescentar nada. Nota  4.

Power Rangers: Legal e divertido mas é só. O ritmo do filme fracassa porque as coisas demoram a acontecer e patina na indecisão de qual público quer atender. Nota 6.

Corra! Muito bom! Só não é o melhor thriller de suspense do ano por causa de Fragmentado. Ouvi maravilhas do final mas eu achei fraco. Desenvolve maravilhosamente bem, mas perde o fôlego e encerra OK.  Nota 8.


Um espaço entre nós: Agradabilíssimo! Filme redondo, história interessante e bem amarrada. Encanta em vários momentos, mas não se arrisca e se assume como um filme de Sessão da Tarde. Mas gostoso de se ver assim mesmo. Nota 8.

Velozes e Furiosos 8: O filme que me fez fechar a boca porque eu quis o fim da franquia após o sétimo e não acreditei que Vin Diesel teria mais alguma carta na manga. É bom ser surpreendido. Nota 8,5

Alien Covenant: Sofrível. Duas horas da minha vida jogadas no lixo. Ridley Scott errou feio ao achar que o público perdoaria um roteiro ruim só pelo interesse na origem. Nota 3.  

Guardiões da Galáxia - Volume 2:  Já se consolida como o principal braço do universo Marvel. James Gunn está sobrando em relação aos outros produtores de filmes solo. Divertido, belo, emocionante, trilha sonora de primeira e não depende da história macro pois se garante sozinho. Só não consegue superar o primeiro. Excelente! Nota 9,5.

A Promessa: Um filme mais do que necessário. Deveria ser obrigatório nas escolas do mundo todo até o Genocídio Armênio ser reconhecido. Lindo, mas com invenções hollywoodianas que não me agradaram. Nota 9.

Mulher Maravilha: Ótimo! Acertaram na mosca no tom, o que não era tarefa fácil. Agrada e diverte. Gal Gadot se agiganta em meio a um elenco forte e mostra porque foi uma escolha acertada para o papel. Nota 8.

A Múmia: Não é uma beleza de filme, mas longe da porcaria que as críticas pintaram. Atende ao que se propõe e pronto. Além de ser interessante essa nova ideia de universo compartilhado de filmes sombrios. Passa.  Nota 6,5. 

Homem-Aranha: De volta ao lar: Francamente não entendo as críticas que recebeu por apresentar o carro-chefe da Marvel adolescente. Lamento, mas essa crítica não tem fundamento: O amigo da vizinhança raiz é um molecão, faz Ensino Médio, tem problemas de um menino comum e raras vezes foi um trintão como Tobey Maguire e Andrew Garfield. Pra mim foi um belo acerto na personagem, na história e atende perfeitamente ao público infanto-juvenil para o qual Stan Lee o criou originalmente. Nota 8.

Detetives do Prédio Azul: Atuações fracas, elenco infantil mediano, mas um bom filme dentro das limitadas produções nacionais e perfeito para o público que se propõe a atender, pois mostra o elenco original da série e faz o que a criançada quer ver. O meu sobrinho sentado ao meu lado não teve queixas. Nota 6.

Baby Driver - Em ritmo de fuga: Uma ideia genial porém mal executada. Em certos momentos chega a ser enfadonho. Destaque para a atuação de Jamie Foxx mas isso é chover no molhado. Trilha sonora empolgante e acertada mas não oferece muito mais do que isso. Nota 6.

Meu malvado favorito 3: Mais uma franquia de animação que só se mantém por questões comerciais. Legalzinho. Nota 6.

Dunkirk: A história é até boa e bem contada, as cenas de ação são ótimas, mas a partir do momento que um filme quer se vender tanto no IMAX é porque não tem muito mais a oferecer. Acaba se perdendo em muitos momentos e de vez em quando você fica querendo que acabe. No geral, um belo filme, mas desproporcional ao hype gerado. Christopher Nolan está ficando arrogante e parece achar que seu trabalho de pós-produção impecável garante um filme impecável. Engano. Nota 7.

Atômica: As melhores cenas de ação do ano e uma trilha sonora de arrepiar. Charlize Theron prova que é uma atriz muito acima da média. Um ótimo filme mas a trama é batida e você não se importa muito com os eventos. Nota 7.

Planeta dos Macacos - A guerra: Belíssimo, efeitos visuais excelentes, direção primorosa, sensível e engraçado ao mesmo tempo, mas foram desonestos vendendo um filme totalmente diferente nos trailers. Não precisavam. Nota 8,5

It - A coisa: O tipo de filme que faz as pessoas entenderem porque Stephen King é um gênio. Uma adaptação de primeira que te pega pela mão do início ao fim e nem parece filme de terror. Nota 9.


Mãe: É bom, prende desde o início e vai te surpreendendo até o desenlace. Mas exige paciência para a compreensão, o que é algo que nem todos têm. Nota 7,5.

Kingsman - O círculo Dourado: Preguiçoso. O filme se perde na arrogância de querer se referenciar como se já fosse uma franquia consolidada de sucesso. Não apresenta nada novo e repete porcamente algumas cenas do primeiro com novas roupagens. Quando Elton John rouba a cena num filme de ação é porque a coisa tá mesmo feia. Nota 5.

Thor - Ragnarok: Um filme da Marvel como um filme da Marvel deve ser. Diverte mas não encanta. Uma boa história, mas já apresenta o início do desgaste da fórmula de sucesso com uma certa descaracterização da personagem. Nota 7.

O círculo: Um filme gostoso de se ver e confronta um tema que precisa ser refletido nos dias de hoje. É bom, provoca, mas não surpreende. Nota 7,5.

A morte te dá parabéns: Atende bem ao público jovem que pretende atingir, trama bem desenvolvida, uma mensagem legal mas um plot twist pessimamente executado. Dá a impressão que deu preguiça na hora de escrever o final. Nota 6,5.  


Feito na América: O tipo de filme que eu gosto. Acerta ao retratar a época, prende do início ao fim. Um roteiro excelente! Só não faz mais sentido ver o Tom Cruise escolhendo para pares românticos meninas com idade para serem filhas dele. Desculpe, isso já está mais do que forçado, está ridículo. Nota 7,5.

Bingo; O rei das manhãs: Muito bom! Bem acima da média dos filmes nacionais. Roteiro bem montado, montagem primorosa, um trabalho de primeira da técnica ao elenco. Além de não estender a duração desnecessariamente. Entrega a trama e agrada. Peca apenas na classificação. O filme seria muito útil no futuro por ser didático, mas não pensaram nisso. Nota 8. 

Liga da Justiça: Ótimo, mas a primeira e maior equipe de super-heróis merecia um filme melhor, mas compreensível devido aos sucessivos problemas durante a produção. Um filme claramente feito com medo que perdeu o público que de fato gostava do gênero. A DC só precisa se assumir e parar de tentar agradar quem nunca gostou dela. Nota 8.

Assassinato no Expresso do Oriente: Muito bom! Sou um pouco suspeito pra falar porque amo o gênero, mas mesmo quem não curte se rende àquele elenco de primeira. Um baile de criatividade visual numa fotografia impecável e história contada com as pitadas de drama e suspense na medida certa. Nota 9.

Star Wars - Os últimos Jedi: Excelente! A Disney está fazendo ótimo proveito da mina de ouro que comprou. Um filme corajoso que conversa melhor com esta nova geração e se atreve a surpreender em lugar de fazer excessiva homenagem aos originais. No terceiro ato você mal respira e já é golpeado com algo sensacional pra te emocionar. Um obra de arte visual com uma fotografia de brilhar os olhos. Só é um pouco longo e demora a entregar o espetáculo, mas ainda assim prova porque Star Wars é a melhor experiência possível no cinema com o melhor blockbuster de 2017. Nota 9,5.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

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sábado, 3 de junho de 2017

Milhões de Logans

 
"Logan, this is what life looks likepeople who love each other, a      home. You should take a moment, feel it".



Esta frase do Professor Xavier no filme "Logan", da FOX, diz respeito ao momento em que eles estão sendo recebidos por camponeses em um lugar seguro e aconchegante, em meio a uma dramática perseguição dos vilões da trama no Norte dos Estados Unidos. 

Durante o filme, Wolverine se vê solitário como nunca antes em sua vida e assume em definitivo sua condição de animal solitário, por conta de tantas perdas e um histórico melancólico de pessoas que ele amava que viu sendo mortas com certa frequência. 

A ele não lhe restava outra coisa senão o isolamento, por entender que sua existência por si só já machucava pessoas próximas a ele, além de ter uma mutação ingrata que o fazia não envelhecer como as outras pessoas, o que fatalmente aumentava suas chances de terminar a vida sozinho.

Na vida real não há mutantes e nem todas as pessoas têm sangue nas mãos por uma vida de lutas, mas nem por isso é impossível chegar ao ponto de uma vida semelhante a de um animal, movido pelos instintos e sem os cuidados de terceiros, tornando-se cada vez mais defensivo e escorregadio, recusando-se a receber carinho. O medo da aproximação de outros seres e a fuga podem ser características também de uma pessoa. Sim, a solidão pode nos deixar muito parecidos com um animal perigoso.

A solidão é uma coisa estranha. Na verdade ela não foi feita para nenhum ser humano, mas é bem verdade que alguns podem não ter a mesma saída. 

Após tanta dor, decepções e derrotas, parece natural que o medo nos torne menos humanos e a aproximação de outros seres humanos se torne uma grande aventura. O fato é que a maior parte das pessoas vive tanto tempo cercada de outras pessoas que poucas sabem de fato o que seriam estes instintos de temor que a vida solitária causa.

Eu já moro sozinho há quase 4 anos. Desenvolvi estranhamente uma pequena fobia de estar perto de muitas pessoas por muito tempo. Reconheço que isso vem muito de questões relacionadas à minha auto-estima em parte, mas o fato é quanto mais tempo você vive sozinho, mais você aprecia isso por um lado, mas por outro, você se sente uma pessoa a cada dia menos gostável

Talvez seja um medo muito parecido com o do Wolverine de machucar as pessoas ou vê-las sendo machucadas, ou simplesmente vê-las saindo da sua vida. Começa a parecer fazer sentido que sua participação na vida das pessoas não é de todo muito positiva, considerando que tantas já foram embora dela sem dar muita explicação.

Chega uma hora que você não quer mais se aproximar das pessoas. Nem para ser infeliz nem para fazer ninguém infeliz. E este último temos acaba sendo o mais viável e fácil de acontecer.

O fato é que a vida adulta não é nada fácil. Carregamos marcas de toda sorte. Nossas feridas estão na alma e nos inibem a viver uma vida na plenitude do que poderíamos.

Chega uma hora em que não há mais família, não há mais telefonemas, não há mais pessoas procurando saber como você está e a impressão de que a sua participação na vida delas é dispensável a certo ponto. Não se ver fazendo a diferença na vida de ninguém é o primeiro e mais duro estágio da solidão: a hora de perceber que não é mutante mas adquiriu o poder da invisibilidade. 

Há muito mais Logans no mundo do que você pode imaginar. Aceitar a vida como ela é sempre foi uma coisa muita sábia para todos, mas há de se convir que ver-se vivendo como um Wolverine, sem grandes perspectivas é algo bem diferente do que qualquer pessoa planejou para sua vida. Ou ao menos a maioria.

Em momentos tão dramáticos da sociedade, como agora no Brasil com tantas pessoas desempregadas, frustradas em seus projetos de vida, é bem verdade que esta condição de animal se prolifera em grande proporção.